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Estudo inédito revela impactos da monocultura de eucalipto no Bolsão

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Espécie é capaz de armazenar grandes quantidades de carbono na parte aérea e no solo
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Pesquisa aponta efeitos negativos nas nascentes, agricultura e pecuária, além de desigualdade na distribuição de receitas geradas pela silvicultura

Um estudo realizado pelo especialista ambiental Valticinez Santiago, da DG – Consultoria de Projetos Ambientais, revela os impactos negativos da monocultura de eucalipto no Bolsão, região leste de Mato Grosso do Sul. A pesquisa identificou a degradação de 350 nascentes, causada pelo consumo excessivo de água pelo eucalipto, o que diminui a infiltração no solo e prejudica o abastecimento hídrico local. Esse processo tem efeitos diretos na agricultura e pecuária, contribuindo para a migração da população e afetando a economia dos assentamentos rurais.

O estudo detalha como o eucalipto consome grandes volumes de água, especialmente durante o seu crescimento acelerado. Embora a árvore tenha um consumo limitado à quantidade de chuva, a evaporação e o escoamento superficial prejudicam a recarga dos lençóis freáticos. Esse comportamento hídrico do eucalipto está exacerbando a escassez de água na região, prejudicando a agricultura e a pecuária, e contribuindo para a migração de trabalhadores, o que afeta ainda mais a economia local.

Além dos impactos ambientais, o estudo também aponta para as consequências econômicas da silvicultura na região. A conversão de terras agrícolas para o plantio de eucalipto resultou em queda na produção pecuária e na desvalorização das atividades agrícolas. Embora os municípios forneçam matéria-prima para a produção de celulose, a falta de investimentos locais tem gerado perdas financeiras, com diminuição da arrecadação e redução da geração de empregos, afetando a sustentabilidade econômica da região.

Em resposta às preocupações sobre os impactos da monocultura de eucalipto, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul agendou uma audiência pública sobre o tema. A nova legislação que facilita o licenciamento ambiental tem gerado controvérsias, pois enquanto beneficia o setor produtivo, não oferece compensações adequadas para os impactos ambientais e socioeconômicos observados pelos assentados. A discussão sobre um equilíbrio entre o crescimento econômico e a preservação ambiental continua sendo essencial para a sustentabilidade da região.