Sem Lucas, bloco reivindica vaga e PL enfraquece na Assembleia
Allyson Leguizamon
Decisão judicial obrigou deputado a deixar o Partido Liberal. (Foto: Luciana Nassar)
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Um mês após se filiar, deputado pede para sair do PL
O impasse que levou o deputado Lucas de Lima a entrar e sair do PL em pouco mais de um mês enfraquecerá a posição do partido na Assembleia Legislativa. Com a presença de Lucas, o PL alcançou quatro deputados na Assembleia, garantindo ao partido uma das cinco vagas na comissão mais relevante da Casa, a de Constituição, Justiça e Redação (CCJ).
Sem Lucas, o partido perde a bancada necessária e, consequentemente, a vaga na comissão. Informações obtidas pela reportagem indicam que um dos blocos da Assembleia solicitará a vaga atualmente ocupada por Neno Razuk (PL).
A CCJ é considerada a comissão mais importante, pois todos os projetos passam por ela. Entre o último ano e este, a comissão passou por duas alterações: Pedro Caravina (PSDB) assumiu a presidência no lugar de Mara Caseiro (PSDB), e Paulo Duarte (PSB) ocupou a vaga deixada por Mara. Por sua vez, Antônio Vaz (Republicanos) teve que deixar a comissão quando o PL assegurou sua posição.
Para garantir uma vaga nas comissões, um partido deve contar com pelo menos quatro vereadores ou formar um bloco com seis integrantes. Atualmente, apenas dois blocos têm direito a essa representação.
Sem Lucas, bloco pedirá vaga e PL perderá força na Assembleia.
Decisão judicial
O deputado estadual Lucas de Lima esclareceu que não tomou a iniciativa de comunicar sua desfiliação do Partido Liberal (PL) por decisão própria. Na manhã de hoje (13), ele havia anunciou a saída do PL, o parlamentar afirmou que a desfiliação ocorreu em cumprimento a uma determinação judicial.
“Tive que me desfiliar para respeitar uma ordem judicial. O PDT contestou a decisão do TRE, que, por 6 a 1, me concedeu o direito de sair do partido por justa causa. Eles recorreram ao TSE, e uma decisão monocrática lhes foi favorável. Com isso, fui obrigado a retornar ao partido. Solicitei minha desfiliação por essa razão, mas agora estou apresentando um agravo para ser julgado no TSE. Não houve desentendimentos, apenas essa situação”, explicou.
Deputado Estadual Lucas de Lima.
Em setembro do ano passado, Lucas de Lima obteve, no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, a autorização para deixar o PDT. Ele buscou a Justiça devido à insatisfação com o partido, que realizou uma intervenção no estado e não lhe concedeu o comando, apesar de ele deter o mandato mais significativo do PDT na Assembleia Legislativa.
Lucas tinha a intenção de disputar a prefeitura de Campo Grande e aparecia como um dos favoritos nas pesquisas divulgadas, mas acabou desistindo da candidatura. Sua frustração aumentou ainda mais quando o partido organizou reuniões para definir candidatos a vereador na capital sem convidá-lo, mesmo sendo ele o presidente municipal da legenda.
Filiação não durou um mês
A passagem do deputado Lucas de Lima pelo Partido Liberal (PL) durou pouco mais de um mês. Após se filiar em 5 de fevereiro, ele informou à Assembleia Legislativa que não faz mais parte da legenda.
“Venho comunicar ao senhor presidente, para todos os efeitos, tornar pública e solicitar que seja registrada internamente nesta Casa de Leis minha desfiliação do Partido Liberal”, declarou o deputado em seu comunicado.
Lucas ingressou no PL no início do último mês, o que ampliou tanto sua influência quanto a do partido na Assembleia. Com quatro deputados, a legenda assegurou participação em todas as comissões da Casa. Ao oficializar sua filiação, ele afirmou que sempre teve maior afinidade com a direita.
O deputado já havia recorrido à Justiça para se desvincular de seu antigo partido, o PDT, alegando ter sido prejudicado em sua candidatura à prefeitura de Campo Grande e, posteriormente, excluído de reuniões após a filiação de Marquinhos Trad.