Luiz Gustavo Martins Araújo Lazzari que será o responsável por emitir parecer sobre CPI, trabalhou por seis anos como assessor do desembargador aposentado contratado pelos empresários do ônibus
Depois de receber a aprovação dos vereadores de Campo Grande, o requerimento para a criação da CPI que investigará os serviços prestados pelo Consórcio Guaicurus será avaliado pelo procurador-geral da Câmara, Luiz Gustavo Martins Araújo Lazzari.
Segundo denúncia o Jornal Midia Max, o procurador conhecido como Gustavo Lazzari, ele trabalha como advogado em parceria com um escritório que tem como sócio Claudionor Miguel Abss Duarte, advogado e desembargador aposentado. Claudionor representa o Consórcio Guaicurus em ao menos três processos em andamento no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
Em uma dessas ações (0861076-76.2023.8.12.0001), Claudionor integra um grupo de advogados que obteve uma decisão judicial no início do ano, obrigando a prefeitura de Campo Grande a aumentar a tarifa de ônibus. Em outro caso (0813779-15.2019.8.12.0001), ele foi contratado pelos empresários do transporte em março de 2024 para assumir uma ação na qual o Consórcio solicita mais recursos públicos. Claudionor entrou no processo após uma perícia judicial rejeitar a alegação dos empresários de desequilíbrio econômico-financeiro.
O relatório pericial, autorizado pela Justiça, apontou que o Consórcio lucrou R$ 68,5 milhões nos primeiros anos da concessão e descumpriu várias cláusulas contratuais, como a idade média da frota. Após esse revés, o desembargador aposentado foi chamado para defender os interesses do Consórcio Guaicurus, pleiteando uma nova perícia. Para isso, os empresários investiram mais de R$ 270 mil, e o novo laudo deve ser concluído até meados de julho de 2025.
Antes mesmo de se formar, Lazzari trabalhou como assessor de Claudionor no TJMS, enquanto este ainda era desembargador, permanecendo no cargo até 2010. Apesar de uma relação profissional de 20 anos com Claudionor, Lazzari afirmou ao Jornal Midiamax que desconhecia a atuação do colega e ex-chefe em favor do Consórcio.
Ele também declarou não ter sociedade ou processos em conjunto diretamente com Claudionor e negou ter atuado ou recebido pagamentos das empresas de ônibus. Quanto ao requerimento da CPI, Lazzari informou que o documento ainda não foi encaminhado para análise, mas considera a possibilidade de se declarar suspeito, embora acredite não haver impedimento legal para emitir seu parecer.